Como investir em minimercados e mercearias?

Para começar a investir nesse tipo de atividade, o empreendedor deve estar ciente de alguns requisitos

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Publicado em 13/04/2020 | Atualizado em 13/04/2020

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horti frut no mercado

Minimercados e mercearias são áreas comerciais onde é possível encontrar os mais diversos produtos do gênero alimentício, bebidas e tabaco. Enquanto as mercearias tem uma estrutura mais enxuta, e se pautam por ter um balcão de atendimento em que o comércio é realizado, os minimercados são supermercados em versões reduzidas, onde o cliente pode andar livre, fazer as compras e pagá-las em um ou mais caixas.
 
As instalações dos minimercados e mercearias devem ser independentes de uma locação para moradia, o que significa que os donos e/ou funcionários do estabelecimento não podem morar nas dependências destinadas às atividades que exercitam. Para ter um comércio desse tipo é preciso, também, possuir alvará de funcionamento e licenças específicas da Vigilância Sanitária, principalmente no que diz respeito ao armazenamento de estoque.

Em suma, o que vai diferenciar um minimercado de uma mercearia é o tamanho de sua área de vendas e o número de check-outs, ou caixas, além do mix de produtos oferecidos e sua origem.

Geralmente, por ser maior, o minimercado comercializa alimentos e bebidas com mais diversificação, desde que tenha estrutura para distribuí-los.

Assim, a mercearia se caracteriza por ser o lugar em que poucos itens são vendidos, para que o cliente consiga repor o estoque do que falta em casa, em caso de emergência, enquanto o minimercado vende de tudo, incluindo perecíveis, produtos de higiene e limpeza e alimentação de toda sorte.

Para começar a investir nesse tipo de atividade, o empreendedor deve estar ciente de que precisa garantir um estoque inicial de produtos, para que o estabelecimento não passe a impressão de estar vazio ou sem opções de consumo. Girar esse estoque a todo vapor é o que vai fazer com que um minimercado ou mercearia consiga competir com um supermercado próximo. Quanto melhor forem suas condições de negociar preços e produtos, maior pode ser sua chance de se estabelecer para um público específico.

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Vale a pena abrir um minimercado ou uma mercearia?

Como montar minimercados e mercearias?

Vale a pena abrir um e-commerce de minimercado ou mercearia?

Como tem se comportado o mercado de alimentação no Brasil?

Minimercado e/ou mercearia é uma tendência de negócio sustentável?

Como diferenciar a minha mercearia das outras em minha cidade?

Vale a pena abrir um minimercado ou uma mercearia?

Para que a resposta a essa pergunta seja assertiva, é preciso que o empreendedor estude bem o ponto onde quer abrir seu minimercado ou mercearia. Se for ao lado de uma megastore de mercado, por exemplo, o futuro pode ser desfavorável; afinal, o grande supermercado terá mais poder de negociação e barganha do que o pequeno empreendedor.

Mas, se resolver iniciar suas atividades em um bairro que necessita desse tipo de serviço, ou abrir uma mercearia com produtos diferenciados de tudo o que existe na região – como tabacaria, de produtos artesanais ou sem glúten, por exemplo –, a iniciativa pode mostrar sinais promissores comercialmente.

O que responderá, então, a essa pergunta, é o plano de negócios que o empreendedor faz para estudar, de antemão, a viabilidade de suas ideias. A partir dele, quando ocorre de a premissa levar ao início da empresa, é interessante dar algumas facilidades ao consumidor final para que o sucesso do empreendimento seja ainda mais possível.

Alguns diferenciais que podem ajudar são o acesso fácil, seja de maneira presencial, por telefone ou internet; a flexibilidade do atendimento, como em uma loja que abre mais cedo e fecha bem mais tarde; a possibilidade de entrega a domicílio; uma boa disponibilidade de produtos e o valor agregado que eles podem gerar às compras do cliente.
 

Como montar minimercados e mercearias?

O primeiro passo é conhecer a fundo o mercado onde se pretende entrar. Saber como funciona o ramo de alimentação na sua cidade ou estado é crucial para conseguir os melhores fornecedores, fazer negociações interessantes e estar em dia com as responsabilidades fiscais. Embora muito lucrativo, o setor de alimentos e bebidas, no Brasil, exige constante atenção dos empreendedores para as regras que podem mudar com a alternância de governos ou disparates econômicos.
 
Com esse estudo, inicia-se o planejamento para montar um negócio desse tipo, que deve passar, necessariamente, por:

• Contratação de pessoal qualificado para ajudar a levantar a documentação necessária;

• Escolha do ponto de venda;

• Negociação com fornecedores;

• Contratação de equipe;

• Planejamento de marketing.

Atualmente, tudo o que pretende dar certo precisa contar com um braço comunicacional para fazer o link entre o que a empresa quer oferecer e o que o cliente quer comprar. O mercado alimentício é muito acirrado e é indispensável que o empreendedor tenha condições de se destacar nele, pela qualidade do serviço e atendimento e, também, pela capacidade de ser conhecido na sua região e nas regiões próximas, no mínimo.
 
Para contratar o pessoal que vai trabalhar na empresa, dê prioridade àqueles que sabem prestar um bom atendimento e fazem o trabalho com atenção. Como, nos dois casos, o contato com o público é direto e constante, os colaboradores serão o cartão de visita de uma mercearia ou minimercado.
 
Sempre que possível, o empreendedor deve ser o primeiro gerente de sua loja, para treinar a equipe de trabalho e liderar pelo exemplo. Ou seja, mostrar para os colaboradores como a empresa vai funcionar, na prática, dando um panorama completo de toda a operação da loja. 

Documentos necessários para montar uma mercearia ou minimercado:

• CNPJ;

• Registro na Junta Comercial;

• Registro da Inscrição Estadual;

• Alvará de localização;

• Licença sanitária de funcionamento;

• Autorização de funcionamento pelo Corpo de Bombeiros;

• Cadastro no sistema Conectividade Social para a contratação de colaboradores;

• Indicação de Disponibilidade Técnica da ANVISA, que certifica que existe no estabelecimento um responsável certificado pelas atividades de manipulação de alimentos;

• Cadastro Municipal e Estadual de Vigilância Sanitárias;

• CNAE 4711-3/02, para comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios.

Vale a pena abrir um e-commerce de minimercado ou mercearia?

Digamos que você esteja fazendo uma receita em casa e acabou o açúcar. Para não ter que incomodar o vizinho com o pedido, você vai até a mercearia mais próxima, ou ao minimercado, compra o açúcar, volta e continua a receita. Eis aí uma compra de urgência que foi atendida plenamente pela existência de uma empresa de gêneros alimentícios perto de você.

Muito raramente você faria essa mesma compra pela internet, correto? Esperar a chegada do açúcar por várias horas – ou dias – poderia significar colocar sua receita em perigo.

A internet é um terreno fértil para o varejo e isso também vale para o setor de alimentação. A abertura de um e-commerce de minimercado ou mercearia valerá a pena se os projetos forem diferenciados e a logística, muito bem pensada.
 

Se as entregas forem relâmpago, com tempo de espera de 15 minutos a meia hora perto do bairro de localização, ou se os produtos forem extremamente diferenciados do que os rotineiros, como um tabaco específico ou farinha sem glúten, esses diferenciais trarão o cliente até você, na internet, e podem aumentar seu faturamento na plataforma online.

Mas, se for para comercializar apenas o que o supermercado mais próximo comercializa, se a logística não for impecável, e valer muito a pena, o consumidor pode preferir sair de casa para comprar, já que, nesse cenário, a praticidade será analógica.
 
Para que minimercados e mercearia online deem certo, a praticidade digital deve ser um bom apelo comercial. Quanto mais rápido, simples e intuitivo for fazer uma compra, e recebê-la, pelos meios digitais, mais o consumidor pode gostar dessa solução.
 
Se o mercado virtual for uma condição plausível, lembre-se de:

• Conhecer bem a região de atuação que você quer atender, principalmente se o estabelecimento fizer propaganda de delivery de compras pelo site ou aplicativo;

• Lembre-se que, nesse caso, o tempo de entrega diz tudo;

• Avaliar periodicamente seus estoques, uma vez que, depois que o cliente faz a compra pela internet, não há possibilidade de dizer a ele que determinado item está em falta. Se isso for realidade, retire-o da lista virtual de compras;

• Investir na diferenciação dos produtos. Quanto mais exclusivos, mais apelos terão;

• Contar com um bom sistema de compras online e emissão fiscal, para que a compra seja feita sem problemas e as obrigações tributárias estejam cobertas;

• Contratar uma ferramenta de e-commerce especializada em supermercados e mercados, que vai apresentar um sistema específico e personalizado para as necessidades gerenciais dessa área.

Além disso, lembre-se que os clientes do e-commerce precisam ser fidelizados para que o negócio tenha giro na internet. É muito legal atender a clientes novos, mas é a recorrência dos antigos que vai mostrar se seus produtos, serviço e atendimento vão ao encontro das expectativas dos consumidores. Ultrapassá-las é sempre o ideal para continuar a operar na internet.

Como tem se comportado o mercado de alimentação no Brasil?

De 2015 a 2017 o setor sofreu retração por conta da recessão econômica que atingiu o país. A partir de meados de 2017, o mercado de alimentos mostrou sinal de avanços no PIB e continuou a crescer em 2018, mostrando que o futuro desse ramo pode ser bastante promissor.
 
Os relatórios mais recentes apontam aumento de crescimento e ganho real, apresentando uma relação entre o faturamento do setor de alimentos e sua fatia do PIB. Em 2017, essa fatia correspondeu a 9.8% do PIB total do país. O crescimento foi visível tanto no setor de bebidas quanto no de alimentos.
 
O consumo de alimentos, de 2017 para cá, aumentou quase 5%, de maneira geral, trazendo predições interessantes para as vendas do setor de alimentação brasileiro nos próximos anos.
 
Esse é um ramo historicamente lucrativo. O empreendedor que se empenha em fazer um bom negócio com alimentações e bebidas pode ter seu retorno ao investimento no menor tempo possível e, ainda, se estabelecer como uma das principais escolhas do consumidor em sua região, ainda que seus preços não sejam os mais baratos.

Minimercado e/ou mercearia é uma tendência de negócio sustentável?

É possível que sim, principalmente porque todos precisam de alimentos e bebidas, para o resto da vida, e o setor alimentício emprega muita gente em seus negócios. Para completar, é desse tipo de empreendimento que vem bons números da balança comercial para o Brasil e exterior, visto que nossa exportação é, majoritariamente, de alimentos.

Mas, mas uma vez, aquilo que poderá te dar plena certeza de que essa é uma tendência possível e sustentável é seu modelo de negócios, que, a essa altura, precisa definir o que o público quer, como – se analógico ou digital – e para quando.
 

Como diferenciar a minha mercearia das outras em minha cidade?

Se o ramo alimentício é muito lucrativo, ele também deve apresentar bastante concorrência, certo? Certo. E, exatamente por isso, é preciso saber como diferenciar a sua mercearia ou minimercado das outras em sua cidade e/ou região.
 
O primeiro passo é focar em um nicho específico de público. Se, no passado, os frequentadores da mercearia eram apenas as pessoas que moravam ou frequentavam a vizinhança, hoje podem ser, também, aquelas que fazem a opção por comprar em determinado lugar por causa de seu atendimento, ou do diferencial dos seus produtos, ou do pacote completo. Gerenciar um setor como esse diz respeito a saber se o público que vai comprar da mercearia está nas redondezas ou se há quem cruze a cidade inteira só para comprar por você – e por qual motivo.

É preciso conseguir adaptar o serviço às necessidades dos consumidores para conseguir se diferenciar. Não adianta, por exemplo, caprichar na arquitetura e decoração de uma tabacaria,

mantê-la limpa e organizada e ofertar os melhores produtos se, por ali, ninguém fuma. Por outro lado, lembre-se do que falamos no início do texto: abrir esse tipo de comércio em regiões que carecem dele podem dar resultados positivos imediatos, visto que comprar alimentos é necessidade vital do ser humano.
 
Por outro lado, diferencie-se de tudo o que possa ser exclusivamente seu: além do bom atendimento, disponha estacionamento, dê brindes, faça um lounge para que os clientes possam tomar um café e ter tempo de escolher o que levar. Observe de perto o que seus principais concorrentes fazem e, ao invés de fazer igual, faça ainda melhor.
 

Além disso, conte com a tecnologia para diminuir sua preocupação com alguns processos do trabalho, como lançamento de produtos no estoque e contagem final do caixa. Ao informatizar sua mercearia com bons sistemas de gestão, você pode focar no que realmente importa, que é atender ao cliente de maneira satisfatória. Quanto mais digital o negócio for, mais atrativo parecerá, incluindo o aceite de cartões de crédito e débito.
 
Por fim, ao escolher os colaboradores, treine bem toda a equipe, para que eles possam prestar um serviço encantador e ajudá-lo a fidelizar os clientes. Após um treinamento inicial, ofereça cursos de reciclagem, dentro ou fora da empresa, para que o funcionário consiga estar cada dia mais apto a ajudá-lo na conquista de demandas e na negociação de ofertas.